Por um novo modelo cognitivo

Meu objetivo ao propor um Novo Modelo Cognitivo (NMC) é integrar a emoção no processo cognitivo. O papel da emoção na produção do pensamento não é adequadamente representado nos modelos disponíveis. Essa, enfim, é a premissa que orienta este texto.

Comecemos pela experiência imediata e trivial acessível a qualquer um. Se nos observamos no mundo, acredito que sejamos todos capazes de reconhecer sem esforço duas dimensões: uma interna,nossa vida interior, como costumamos chamar; e outra externa, o mundo das coisas ao qual estamos também integrados. Essa então a primeira percepção primária: interno e externo.

Logo a seguir, outro par é derivado desse primeiro: imaterial e material. De fato, a dimensão interior é toda imaterial (como as palavras, sua representação mais acabada, ela está e não está no mundo); a dimensão exterior é, ao contrário, ostensivamente material.

De posse desses dois pares de percepções autoevidentes – interno/ imaterial, externo/ material – podemos derivar mais dois pares conceituais, mais elaborados, portanto. O primeiro par é uma derivação mais ou menos imediata: de interno/ imaterial deriva-se o conceito de alma; e do par externo/ material o conceito de corpo. Mais adiante, num processo mais elaborado, chegamos finalmente aos conceitos de Deus e Mundo.

Esses novos pares podem ser ditos conceituais porque deles derivaremos ciências correlatas: do conceito de Alma derivamos a Psicologia; do conceito de Corpo, a Fisiologia; do conceito de Deus, a Metafísica; e do conceito de Mundo, a Física.

É interessante notar que podemos associar os pares inciais – interno; externo. imaterial; material as res cogitans e res extensa de Descartes e à matéria e forma de Aristóteles que são os dois paradigmas que orientam minhas reflexões.

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